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31 de maio de 2012

Santo de casa e o milagre da arte!



No dia 26 de maio (sábado), a Sinfônica Heliópolis realizou pela primeira vez um concerto ao ar livre na comunidade. A oportunidade tão esperada veio com um convite da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, para que a orquestra compusesse a programação da Jornada da Habitação – Heliópolis, que também contou com apresentações e atividades de outros projetos sociais que atuam na região, como o Cine Favela, a Companhia de Teatro Heliópolis, o coletivo de Hip Hop Avante o Coletivo e a escola de samba Imperador do Ipiranga.

Foi um dia histórico! O palco montado no Centro de Convivência Heliópolis era digno de um grande evento, de uma grande orquestra e do público de aproximadamente duas mil pessoas. O Instituto Baccarelli fez questão de ter em Heliópolis a mesma estrutura e qualidade técnicas que exige para apresentações da orquestra em qualquer grande evento. E o público agradeceu aplaudindo, assoviando, prestando atenção em cada detalhe, dançando, enfim, se apropriando do espaço e da orquestra, que afinal, é deles.

O violoncelista da Sinfônica Heliópolis Marcos Mota Araujo, resume: “Nós conquistamos o público! Fomos muito bem recebidos”. A clarinetista Magali da Silva Souza avalia que “concertos assim são importantes para nos integrar mais com a comunidade. Até porque, quando o Instituto Baccarelli construir o seu teatro, os concertos vão ser para eles. Temos que formar público desde já”.


O repertório foi de música brasileira: começando por música erudita (Abertura da ópera “Fosca”, de Carlos Gomes), passando por arranjos sinfônicos de música popular (os medleys “Dona Flor” e “Aquarela do Tico Tico que só Dança Samba”), culminando em um forró de Guerra Peixe (Mourão) – quando uma zabumba e dois triângulos surgiram à frente da orquestra - e uma música do Skank (“Vou Deixar”). Para encerrar, uma banda de rock – com guitarra, baixo elétrico e saxofone - se destacou da orquestra e encerrou o concerto/show em alto astral tocando “Satisfaction”, dos Rolling Stones.

Entre uma música e outra, o maestro Edilson Ventureli conversou com público, convidou duas pessoas para regerem a orquestra e deixou claro o que a essa altura todo mundo já sabia: que não há contradição entre orquestra e música popular, entre música erudita e comunidade popular, enfim, entre a missão de levar o nome da comunidade para o mundo e a de trazer do mundo música e oportunidades para a comunidade.

“Quando todo o público do evento, que estava dividido entre as barracas e outras atividades, parou para ver a orquestra, percebemos que a mesma expectativa que nós tínhamos em nos apresentar na e para a comunidade, os moradores também tinham em ver sua orquestra tocar ‘em casa’. A confiança e o carinho dessas pessoas nos enchem de orgulho e de uma responsabilidade que pretendemos honrar cada vez mais”, explica Edilson Ventureli, diretor executivo do Instituto Baccarelli e regente assistente da Sinfônica Heliópolis.




*Fotos: Marcos Bizzotto