No
dia 26 de maio (sábado), a Sinfônica Heliópolis realizou pela primeira vez um
concerto ao ar livre na comunidade. A oportunidade tão esperada veio com um
convite da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, para que a orquestra
compusesse a programação da Jornada da Habitação – Heliópolis, que também
contou com apresentações e atividades de outros projetos sociais que atuam na
região, como o Cine Favela, a Companhia de Teatro Heliópolis, o coletivo de Hip
Hop Avante o Coletivo e a escola de samba Imperador do Ipiranga.
Foi
um dia histórico! O palco montado no Centro de Convivência Heliópolis era digno
de um grande evento, de uma grande orquestra e do público de aproximadamente
duas mil pessoas. O Instituto Baccarelli fez questão de ter em Heliópolis a
mesma estrutura e qualidade técnicas que exige para apresentações da orquestra
em qualquer grande evento. E o público agradeceu aplaudindo, assoviando,
prestando atenção em cada detalhe, dançando, enfim, se apropriando do espaço e
da orquestra, que afinal, é deles.
O
violoncelista da Sinfônica Heliópolis Marcos Mota Araujo, resume: “Nós
conquistamos o público! Fomos muito bem recebidos”. A clarinetista Magali da
Silva Souza avalia que “concertos assim são importantes para nos integrar mais
com a comunidade. Até porque, quando o Instituto Baccarelli construir o seu
teatro, os concertos vão ser para eles. Temos que formar público desde já”.
O
repertório foi de música brasileira: começando por música erudita (Abertura da
ópera “Fosca”, de Carlos Gomes), passando por arranjos sinfônicos de música
popular (os medleys “Dona Flor” e “Aquarela do Tico Tico que só Dança Samba”),
culminando em um forró de Guerra Peixe (Mourão) – quando uma zabumba e dois
triângulos surgiram à frente da orquestra - e uma música do Skank (“Vou
Deixar”). Para encerrar, uma banda de rock – com guitarra, baixo elétrico e
saxofone - se destacou da orquestra e encerrou o concerto/show em alto astral
tocando “Satisfaction”, dos Rolling Stones.
Entre uma música e outra, o maestro Edilson
Ventureli conversou com público, convidou duas pessoas para regerem a orquestra
e deixou claro o que a essa altura todo mundo já sabia: que não há contradição
entre orquestra e música popular, entre música erudita e comunidade popular,
enfim, entre a missão de levar o nome da comunidade para o mundo e a de trazer
do mundo música e oportunidades para a comunidade.
*Fotos: Marcos Bizzotto




