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4 de setembro de 2012

Sinfônica Heliópolis realiza concerto histórico com seus amigos Zubin Mehta e Julian Rachlin



Na noite do dia 22 de agosto, o Theatro Municipal de São Paulo foi palco de uma apresentação histórica. Mais de 1220 pessoas presenciaram um concerto de um dos maestros mais premiados do mundo, Zubin Mehta, com a Sinfônica Heliópolis. O maestro jamais havia regido uma orquestra brasileira, e motivou o concerto pessoalmente, para arrecadar fundos para o Instituto Baccarelli – que criou e gere a orquestra.

Como solista e spalla, um dos instrumentistas mais destacados da atual cena internacional. Julian Rachlin conheceu a Sinfônica Heliópolis pessoalmente em abril, quando solou em um concerto da temporada oficial da orquestra. Além disso, ofereceu masterclasses memoráveis e fez amizade com os músicos, inclusive com os que não falam inglês, ora falando a língua da música, ora a do futebol – uma paixão compartilhada por ele e pela moçada de Heliópolis.

No programa do concerto de agosto, a abertura de As Bodas de Fígaro, de Mozart; o Concerto Para Violino em Ré Maior, de Beethoven; e a Sinfonia Fantástica, de Berlioz. Obras cheias de paixão, que se mostraram perfeitas para a ocasião.

Tudo começou quando, em 2005, Zubin Mehta se apaixonou pela Sinfônica Heliópolis. Convidado a conhecer o Instituto Baccarelli, foi à sede do projeto atraído mais pelo interesse social do que pela curiosidade artística. Mas foi surpreendido por uma orquestra que trilhava um caminho que uniria as duas vocações: desenvolvendo valores e perspectivas sociais, por meio da excelência artística. Tornou-se patrono do Instituto.

De volta a Heliópolis em agosto de 2012, Mehta e Rachlin foram surpreendidos por homenagens. A Sala Zubin Mehta, novo espaço de ensaio das orquestras do Instituto, foi inaugurado na presença do maestro. Membro do Conselho Consultivo da organização, José Pastore conta que ao puxar a fita que descortinou a placa da sala, que levava seu nome, Zubin Mehta “ficou parado, olhando, olhando... E nada disse. Ele é homem de falar pouco e sentir muito. Quem estava perto, como eu, viu que ao mirar a placa ele segurou a lágrima que estava pronta para rolar”.

Já Julian Rachlin, que além de virtuoso violinista e violista também é regente, foi convidado – perante toda a orquestra, representantes do Instituto Baccarelli e da imprensa – a ser o Principal Regente Convidado da Sinfônica Heliópolis, que tem como maestro titular o brasileiro Isaac Karabtchevsky. Ao aceitar, ele assumiu seu primeiro posto como regente e sacramentou sua relação com a orquestra.

Tudo isso estava no ar, quando os 105 músicos subiram ao palco na última semana. A expectativa era grande e foi correspondida. O violoncelista da Sinfônica Heliópolis, Alexandre Luiz, explica que “(o concerto) foi algo que só quem tocou, assistiu e foi tocado pela música de qualidade que a Sinfônica Heliópolis proporcionou vai poder carregar em sua memória e coração... Eu quero sempre ter essa sensação ao tocar, e agradeço aos amigos e companheiros por terem me feito arrepiar com o melhor de cada um naquela noite”.



Já Paulo Galvão, violinista da Sinfônica Heliópolis, resume toda apreensão e satisfação que os jovens músicos viveram nos ensaios e no concerto: “O melhor de tudo é levar uma bronca do melhor maestro do mundo no ensaio, depois acertar na hora do concerto, e ele abrir aquele sorriso”.  O sorriso de Zubin Mehta e seu olhar impressionaram a todos e todas. É com combinação perfeita de técnica e paixão que ele conduz a orquestra a resultados como o que foi visto no Theatro Municipal. A execução da Sinfônica Fantástica, de Berlioz, foi considerada muitos músicos a melhor performance que a orquestra já teve.

Mas não tinha acabado. No bis, Zubin regeu “Aquarela do Tico-Tico que só Dança Samba”, arranjo de Chiquinho de Moraes com temas de músicas populares brasileiras. O bis já é tradicional, com ele a Sinfônica Heliópolis foi cativou plateias rigorosas em sua turnê europeia (2010). Mas, sob a batuta de Zubin Mehta, ele se tornou uma celebração. “Eles fazem música clássica com competência e depois celebram com samba e muita alegria, de uma forma que eu nunca vi na música clássica. E as crianças cantando, então, isso partiu meu coração.”, declarou Mehta, que foi homenageado pelas crianças do Coral da Gente, que cantaram “Se todos fossem no mundo iguais a você”, de Tom Jobim, após o concerto.

Grandeza e a simplicidade foram lições aprendidas na prática, ao longo da semana passada com Mehta e Rachlin. Durante gravação de um programa de TV, o maestro viu que toda a orquestra usava gravata vermelha e pediu uma emprestada para um dos músicos, para ficar igual a eles. Já Julian Rachlin, depois de um dia intenso de ensaio e aulas, se juntou aos músicos para uma partida de futebol em uma quadra alugada na região.

Depois do concerto, restaram ensinamentos, lembranças e experiências difíceis de explicar. “‘Emocionante’ é pouco para descrever a sensação de estar sob a batuta do maravilhoso maestro Zubin Mehta e com o grande violinista Julian Rachlin. Agradeço a Deus e ao Instituto Baccarelli pelas oportunidades e experiências únicas, que vou levar para o resto da minha vida!”, declara Andrezza Batistella,  violista da Sinfônica Heliópolis.

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Fotos: Marcos Bizzotto